LAURA_ AkiÓ->Casa de Cultura Mario Quintana,Porto Alegre, 2017, Brasil.

2017

Ocupação / Ação / Performance

Entre os dias 11 e 21 de janeiro de 2017, LAURA_ AkiÓ->   ocupou a Casa de Cultura Mario Quintana, realizando no dia 21 de janeiro, duas apresentações de sua performance LAURA_ AkiÓ->foodi truke_pipoca.

Durante dez dias de ocupação na Casa de Cultura Mario Quintana, “LAURA_ AkiÓ->”,  percorreu as ruas de Porto Alegre coletando objetos descartados pela população para construir seu “foodi trucke”, que serve como meio e cenário de sua perfomance.

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Foi a partir desta coleta, uma espécie de arqueologia do esquálido que a artista questiona o quanto os resíduos produzidos por uma cidade, estão imbuídos de aspectos culturais e históricos de seus habitantes.

Através das relações pessoais estabelecidas  em seu percurso e  a partir  da  resinificação do lixo produzido pelos habitantes da cidade, Carvalho acaba estabelecendo uma co- produção com a população do local.

Durante sua busca por sucata a artista passa a se relacionar não só com as ruas da cidade mas também com seus habitantes: Catadores de lixo, moradores de rua, camelos, feirantes, porteiros, lixeiros, vendedores ambulantes, artistas de rua… Estas figuras que compõem as ruas do centro de uma grande cidade, passam a se relacionar com a figura da artista, LAURA_ AkiÓ->   , estabelecendo relações de troca e amizade.

Graças aos caminhos percorridos por LAURA_ AkiÓ->,  a artista acaba  conhecendo  o gaucho  João Suriz. O encontro ocorre  na calçada de uma das ruas do centro da cidade, enquanto Suriz  cortava o  cabelo de uma cliente. Suriz se considera artista de rua, já que além de cortar cabelo, toca violino e  faz leituras de Tarôt, nas ruas de Porto Alegre.

Acreditando na potencia dos encontros, e no poder da real_ação, a artista convida Suriz para participar de sua performance. Assim como os objetos coletados pela artista  passam a compor seu “foodi trucke”, as relações propiciadas por seu deslocamento,  também são integradas em sua performance.

Este deslocamento, da figura, entre a Casa de Cultura Mario Quintana e as ruas da cidade, foi filmado pela artista a partir de um sistema inventado pela mesma que se assemelha aos registros obtidos por uma Gopro. Graças a esse sistema de filmagem acoplado em seu chapéu a artista registrou, não só a coleta dos objetos descartados para a construção de seu “foodi trucke”, mas, também a reação e a relação dos pedestres ao se depararem com sua figura. Esta ação, acaba assumindo um caráter performativo, que a partir dos registros feitos, revela olhares indagados, assustados, curiosos, alegres e duvidosos.

LAURA_ AkiÓ->,  segue  sobre esse território simbólico movediço que constitui a vida,  questionando e brincando, com os da(r)dos relativos ao momento presente.  Apontando que a  existência humana se instaura na corda bamba da vida. A figura,  fita seus limites, se colocando a mercê dessa linha vivenciando, o medo de cair e a ideia de flutuar.

Questionando os limites entre publico e privado, arte e vida,  performance e teatro, pensamento e ato, processo e criação, LAURA_ AkiÓ->, segue atravesando  os limites que impendem a RE(a)L_AÇÃO, com o comUM.